16 outubro 2008

Por que o Kassab teme revelar seu passado político e assumir sua posição dentro da sociedade?

A DICOTOMIA ENTRE A VIDA PRIVADA E PÚBLICA DE UM CANDIDATO

Instalou-se, a partir do início desta semana, uma polêmica antiga sobre o que é público e privado para um candidato a uma representação pública. Em questão, a vida privada do atual candidato à prefeitura, Gilberto Kassab. Duas perguntas foram feitas: "Sabe se ele é casado? Tem filhos?". A partir destas indagações, travamos o debate sobre o que é relevante ou não na vida pessoal de um político e as relações que ele trava com o cargo que ocupa.


Na visão progressista dos partidos que sempre compuseram a esquerda em nosso país, tais questões não deveriam influenciar no debate político, mas invariavelmente não é isso que se coloca. A esquerda, e representativamente o PT, foram vítimas de tais "questionamentos" durante essas quase três décadas de sua existência. Citemos aqui as mais importantes:

Em 89, Lula foi duramente criticado, por incentivar, segundo seu oponente, "a prática do aborto", questão esta onde o partido tem um razoável acúmulo de discussão e conhecimento. Também por ser nordestino, operário, não ter uma formação acadêmica, etc.,etc.,etc... Marta Suplicy por diversas vezes, foi vítima de "n" preconceitos. Primeiro por seu apoio às questões LGBT, depois por questões mais pessoais como a separação de seu ex-marido, Eduardo Suplicy. E aí temos uma série de questionamentos do ponto de vista do que seria "privado ou não" na vida de nossos candidatos, e muitas vezes, sendo colocado de forma desleal e depreciativa.

[...]

A questão da suposta homossexualidade de Kassab, é de foro íntimo, porém o assumir-se ou não, é fator preponderante na construção de uma sociedade justa e menos discriminatória. Quando Marta coloca que a sociedade, "tem o direito" de conhecer o "verdadeiro" Kassab, inconscientemente se traduz, não só por suas posições políticas que ele próprio tenta omitir de forma mascarada, até por seu passado comprometido com forças reacionárias, assim como a dialética do assumir-se ou não dentro de um antagonismo partidário, pois bem sabemos que seu histórico político se dá com forças ultra conservadoras na política nacional.

Como militantes do Partido dos Trabalhadores, entendemos que as duas questões que se colocam, assim como tantas outras, vêem no enfoque não de incitar a discriminação, até porque historicamente não condiz com nossos preceitos, mas apenas como um elemento a mais no direito inequívoco de informação do eleitor.

Marcos Freire - Coordenador do Coletivo LGBT - CUT e membro do Setorial LGBT Estadual
Walmir - Membro do coletivo LGBT - CUT - APEOESP
Fernando Schueler - Coletivo LGBT - CUT - APEOESP
Maciel Nascimento - Assessor Parlamentar

Um comentário:

Pedro de Sousa disse...

Bom dia!

Dêem uma olhadinha na enquete sobre a Imprensa Paulista que tem no blog: "Quem é o Kassab?"

www.quemeokassab.blogspot.com

abs.