28 junho 2006

Portugueses em delírio


Um gol de Maniche e 76 minutos de resistência e sofrimento foram suficientes para desencadear uma explosão de alegria equivalente à soma das festas populares do Santo António e do São João.A passagem da seleção portuguesa de futebol às quartas-de-final do Mundial 2006 é um feito.

Assistir ao princípio do fim, quarenta anos depois do último mito do salazarismo, já é motivo para elogiar Scolari.O populismo e a arrogância do treinador da seleção de futebol passaram a fazer parte do passado, pois os resultados da equipa falam mais alto. A vitória de Portugal sobre a Holanda é um bálsamo para a sociedade exigir mais de si própria e dos líderes que a governam.

Apesar das dificuldades, em que tantas e tantas vezes há motivos para o desalento, impressiona a capacidade dos portugueses acreditarem. Num país que por vezes parece estar condenado a arrastar-se na cauda da Europa, uma vitória no futebol ainda é capaz de colocar o país na rua a festejar. É a prova que o desporto-rei pode despertar os portugueses mesmo nos momentos em que todos os indicadores justificariam reações de apatia e desânimo.

Basta assistir ao que se passa em todo o mundo para compreender que o futebol encerra uma capacidade de mobilização que ultrapassa qualquer previsão. Felizmente, o passado recente já provou que o sucesso alcançado no Euro 2004 não fez milagres no dia-a-dia de cada um dos portugueses. Festejar uma vitória no Mundial, ainda que desbragadamente, não significa a confusão entre o êxito desportivo e o falso desenvolvimento.

A realidade é mais forte que qualquer alienação, ainda que haja a tentação de alguns se apoderarem de um êxito que não lhes pertence. No próximo sábado, às 16 horas, em Gelsenkirchen, regressa a paixão, a esperança e o sonho de derrotar os ingleses.

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