
Reproduzo parte do texto de Flávio Aguiar só para recordar o que foi o odioso governo do Fernando Henrique, que em troca de seus valores neoliberais e a venda dos bens do Brasil, humilhou o povo e deixou de joelhos a Petrobras até o ponto de vender-lhe grande parte dos seus ativos.
"O gesto intempestivo de Morales me lembrou outro. Que não foi intempestivo; foi cuidadosamente planejado. Em maio de 1995, em seu primeiro governo, Fernando Henrique Cardoso mandou o Exército ocupar 53 campos produtores, dutos e refinarias no país, diante da greve dos trabalhadores petroleiros. A greve durou 23 dias. O resultado da ocupação militar dura até hoje. FHC pôs a Petrobrás de joelhos diante da “necessária” globalização conservadora que seu governo defendia. E fez mais. Dizia o jornalista Marcelo Pontes, do JB:
“A verdadeira batalha por trás da greve é do monopólio da Petrobrás. Grevistas e governo agiram em função desta bandeira. O governo atuou de dois modos: enquanto sufocava a greve, com todos os seus recursos, inclusive com a ocupação das refinarias por tropas do Exército, fechava acordo com os parlamentares ruralistas, uma bancada de 140 votos no Congresso, para votar na próxima semana a quebra do monopólio da Petrobrás”.
Na seqüência, o governo de FHC usou sempre a ameaça de envio de tropas do Exército contra mobilizações de vulto dos trabalhadores. Ver detalhes em www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista, no artigo “Globalização e Forças Armadas”, de João Roberto Martins Filho.
E quem quiser saber em detalhe da verdadeira campanha movida por FHC em detrimento da capacidade de atuação da Petrobrás e em favor das distribuidoras estrangeiras no Brasil, deve consultar o sítio do jornalista gaúcho radicado no Rio, colaborador do grande Pasquim, Fausto Wolff: http://olobo.net/index.php, com informações de Hélio Fernandes.
Só gosto de ver tropa na rua no desfile do 7 de setembro, ou coisas parecidas. Não gosto de presidentes militarizados. Lembro, na época, em 1995, de uma capa de semanário, com FHC “vestido” de pára-quedista, com capacete e tudo. Era o herói do neoliberalismo nacional contra os trabalhadores, como Margareth Thatcher fora do europeu, contra os mineiros do carvão na Inglaterra.
A campanha militar contra os petroleiros foi a queda de braço simbólica entre o novo presidente e os trabalhadores, naquela época. FHC e sua direita venceram. Foi uma derrota histórica para a classe trabalhadora. E como soe acontecer, para onde se inclina o Brasil, se inclinam a América do Sul e a América Latina, de que ele é, respectivamente, metade e um terço. Como aconteceu em 1964, com o golpe militar.
Evo exagerou no estilo. O governo Lula acertou em cheio, não enveredando pela truculência xenófoba disfarçada de nacionalismo, reclamada pelos súbitos neófitos dos “interesses nacionais”, preferindo o caminho da negociação soberana.
Não aprovo ocupações militares intempestivas. Mas diante das duas, as de FHC e de Morales, fico com a do presidente boliviano, que foi a favor de seu povo, e não contra os trabalhadores."
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