12 maio 2006

Morales começa a dar com os burros n'água


Os brasileiros que vivem na Bolívia estão ameaçados de serem expulsos. São pequenos agricultores que moram na região de fronteira com Acre e Rondônia. A decisão do governo do presidente boliviano, Evo Morales, pegou todos de surpresa. O fato é que a Constituição da Bolívia proíbe que estrangeiros sejam proprietários de terra em uma faixa de até 50 quilômetros da fronteira. O Ministério das Relações Exteriores informou ontem, no início da noite, que enviará hoje um funcionário diplomático para manter contato com os brasileiros que moram na região.

Nos últimos dias Morales tem se mostrado um homem despreparado para a Presidência. O fato de ter nacionalizado a Petrobras no seu território não foi criticado pelas pessoas de bom senso. Pelo contrário, seu ato foi respeitado e até mesmo elogiado. A crítica só apareceu na maneira em que o Presidente agiu ao colocar o irrisório exército boliviano para se apossar das instalações da empresa naquele país.

Ontem, em Viena, Morales acusou o Brasil de ter adquirido o "Acre em troca de um cavalo". O Acre, ocupado por brasileiros que viviam da extração da borracha, pertence ao Brasil desde 1903. Pela área, o Brasil pagou dois milhões de libras esterlinas e construiu a estrada de ferro Madeira-Mamoré para escoar os produtos bolivianos. O Presidente também acusou a Petrobras de currupção, ilegalidade e contrabando do gás e das riquezas bolivianas! Para fechar sua insanidade, planeja tomar as terras compradas pelos brasileiros e expulsá-los do território dos "índios", como costuma se referir, orgulhoso, ao seu povo.

Suas declarações tem chocado o Itamaraty. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, usou a palavra "indignação" para expressar o que o governo brasileiro pensa sobre os comentários irresponsáveis do presidente boliviano.

Morales se destacou no cenário político através da luta pela manutenção das plantações de coca. Carentes de uma liderança nacional, os bolivianos o escolheram para presidente, na esperança de torná-lo um defensor dos seus brios. Mas ser Presidente não significa ser Estadista. E com tais afirmações, Morales, certamente, não permanecerá muito tempo na presidência da Bolívia. Seguirá o destino dos últimos presidentes que caíram barranco abaixo em curto espaço de tempo. Ele retornará para o meio dos cocaleiros e não terá o privilégio de se comparar ao diplomático Presidente Lula, verdadeiro estadista, cauteloso em suas declarações e respeitoso nos acordos feitos antes dele chegar ao poder. A inteligência de Morales pode ser suficiente para lidar com problemas locais, mas internacionais, ele precisa percorrer ainda um longo caminho.

Glória Leite

Um comentário:

Justo disse...

Não concordo com seu ponto de vista, apesar de respeitar muito o seu pensamento.Mas vejo claramente uma manipulação das informações jornalisticas tanto no Brasil quanto da Bolivia.
Beijos!