
Texto: blog Cidadania - Eduardo Guimarães
Preciso insistir no caso Pimenta Neves (ex-diretor do jornal Estadão que matou a namorada) porque me preocupa que o exemplo de impunidade dos barões da elite que esse caso representa esteja sendo subavaliado pela sociedade. Ao deixar o fórum de Ibiúna livre como um pássaro, apesar de ser um assassino confesso e de ter sido condenado a 19 anos de prisão naquela ribalta da lei, Pimenta Neves transformou-se no símbolo da desigualdade de tratamento das diversas classes sociais brasileiras pela lei. Se fosse um pobre diabo sem notoriedade, certamente o jornalista-assassino teria passado os últimos seis anos preso, à espera de julgamento. E, mesmo que tivesse obtido liberdade provisória até o julgamento, jamais teria saído livre se no juízo fosse condenado.
Obviamente comparar alguém como Pimenta Neves com algum dos milhões de pobres, geralmente negros ou pardos, que caem nas malhas da lei até por crimes muito menores que o do jornalista, é chover no molhado. Mas o que espanta é que ele está conseguindo um grau de privilégios em relação ao resto da sociedade que muito poucos até hoje conseguiram. O caso de Pimenta Neves pode ser comparado aos antigos casos dos comandantes dos massacres de sem-terra no Pará ou de presidiários no Carandiru. No entanto, a culpabilidade do jornalista é muito maior e muito mais fácil de ser definida. Assim, pergunta-se: por que alguém cuja culpa não prescinde de comprovação vai ganhando anos e anos de impunidade e obtendo da sociedade o direito de, com sua vida mansa longe dos braços da lei, tripudiar sobre a família de sua vítima ?
Para entender a regalia que a Justiça brasileira vem concedendo a Pimenta Neves basta constatar como ele vem sendo tratado pela mídia desde que cometeu seu crime (há seis anos) e descobrir-se-á que essa mídia, quando decide proteger ou atacar as pessoas, pode determinar, ao menos para a Justiça, como alguém que delinqüiu deve ser tratado. Pimenta Neves é um dos recados que a mídia tenta mandar para a sociedade sobre si mesma: seus soldados devem ser preservados e ter mais direitos do que os outros cidadãos simplesmente porque estão ou estiveram alistados em suas fileiras. E ponto final. Para os setores mais atentos da sociedade, a impunidade dos importantes da mídia constitui, antes de tudo, um recado dela para eles: "Não mexam comigo".
Senão, vejamos: por que tanta diferença entre o tratamento que recebeu Suzane von Richtofen (que facilitou o assassinato dos pais) e o que recebe Pimenta Neves? Ambos não sofreram condenação definitiva, mas Suzane ficou presa por anos à fio - e, agora, voltou a ser presa - e Pimenta Neves só ficou alguns meses. Dirão que agora Suzane apresentou indícios de que poderia fugir, de que poderia ameaçar o irmão, de que, com a entrevista que concedeu ao Fantástico, pretendia manipular a opinião pública etc. Porém, se a mídia tivesse ido entrevistar Pimenta Neves da mesma forma que foi entrevistar Suzane, certamente poderia ter flagrado alguma tentativa de amealhar simpatia popular por meio de fraude como a que a filha-assassina encenou recentemente. Mas a mídia não trata Pimenta Neves como trata os que não pertencem ou pertenceram à sua corporação. Essa é a verdade. Uma verdade que precisa ser mudada neste país e que um dia será, a despeito do bloqueio que a mídia faz de questionamentos a ela em todos os grandes espaços possíveis e imagináveis de que dispõe.
Para mim, combater a grande mídia brasileira tornou-se um dever de cidadão. Por isso criei o blog Cidadania.com, para debater e, quando preciso, para denunciá-la. Acredito que a sociedade brasileira e mundial deve impor regras de conduta mínimas para seus meios de comunicação. A defesa incontida que foi feita da "liberdade de imprensa" pelo mundo por conta dos ataques que a verdadeira liberdade de imprensa sofreu no decorrer da história transformou-se numa arma que os grandes empresários da comunicação - com interesses particulares bem definidos - têm sabido usar para permitirem a si mesmos um poder discricionário neste país. Combater a ascensão de uma oligarquia ao ponto que ela pretende guindar a si mesma, para mim, repito que representa um dever meu de cidadão. Por isso dei ao meu blog o nome que mencionei acima, para exortar a sociedade ao exercício da cidadania, que inclui exigir isonomia de tratamento para todos os seus membros e classes.
Preciso insistir no caso Pimenta Neves (ex-diretor do jornal Estadão que matou a namorada) porque me preocupa que o exemplo de impunidade dos barões da elite que esse caso representa esteja sendo subavaliado pela sociedade. Ao deixar o fórum de Ibiúna livre como um pássaro, apesar de ser um assassino confesso e de ter sido condenado a 19 anos de prisão naquela ribalta da lei, Pimenta Neves transformou-se no símbolo da desigualdade de tratamento das diversas classes sociais brasileiras pela lei. Se fosse um pobre diabo sem notoriedade, certamente o jornalista-assassino teria passado os últimos seis anos preso, à espera de julgamento. E, mesmo que tivesse obtido liberdade provisória até o julgamento, jamais teria saído livre se no juízo fosse condenado.
Obviamente comparar alguém como Pimenta Neves com algum dos milhões de pobres, geralmente negros ou pardos, que caem nas malhas da lei até por crimes muito menores que o do jornalista, é chover no molhado. Mas o que espanta é que ele está conseguindo um grau de privilégios em relação ao resto da sociedade que muito poucos até hoje conseguiram. O caso de Pimenta Neves pode ser comparado aos antigos casos dos comandantes dos massacres de sem-terra no Pará ou de presidiários no Carandiru. No entanto, a culpabilidade do jornalista é muito maior e muito mais fácil de ser definida. Assim, pergunta-se: por que alguém cuja culpa não prescinde de comprovação vai ganhando anos e anos de impunidade e obtendo da sociedade o direito de, com sua vida mansa longe dos braços da lei, tripudiar sobre a família de sua vítima ?
Para entender a regalia que a Justiça brasileira vem concedendo a Pimenta Neves basta constatar como ele vem sendo tratado pela mídia desde que cometeu seu crime (há seis anos) e descobrir-se-á que essa mídia, quando decide proteger ou atacar as pessoas, pode determinar, ao menos para a Justiça, como alguém que delinqüiu deve ser tratado. Pimenta Neves é um dos recados que a mídia tenta mandar para a sociedade sobre si mesma: seus soldados devem ser preservados e ter mais direitos do que os outros cidadãos simplesmente porque estão ou estiveram alistados em suas fileiras. E ponto final. Para os setores mais atentos da sociedade, a impunidade dos importantes da mídia constitui, antes de tudo, um recado dela para eles: "Não mexam comigo".
Senão, vejamos: por que tanta diferença entre o tratamento que recebeu Suzane von Richtofen (que facilitou o assassinato dos pais) e o que recebe Pimenta Neves? Ambos não sofreram condenação definitiva, mas Suzane ficou presa por anos à fio - e, agora, voltou a ser presa - e Pimenta Neves só ficou alguns meses. Dirão que agora Suzane apresentou indícios de que poderia fugir, de que poderia ameaçar o irmão, de que, com a entrevista que concedeu ao Fantástico, pretendia manipular a opinião pública etc. Porém, se a mídia tivesse ido entrevistar Pimenta Neves da mesma forma que foi entrevistar Suzane, certamente poderia ter flagrado alguma tentativa de amealhar simpatia popular por meio de fraude como a que a filha-assassina encenou recentemente. Mas a mídia não trata Pimenta Neves como trata os que não pertencem ou pertenceram à sua corporação. Essa é a verdade. Uma verdade que precisa ser mudada neste país e que um dia será, a despeito do bloqueio que a mídia faz de questionamentos a ela em todos os grandes espaços possíveis e imagináveis de que dispõe.
Para mim, combater a grande mídia brasileira tornou-se um dever de cidadão. Por isso criei o blog Cidadania.com, para debater e, quando preciso, para denunciá-la. Acredito que a sociedade brasileira e mundial deve impor regras de conduta mínimas para seus meios de comunicação. A defesa incontida que foi feita da "liberdade de imprensa" pelo mundo por conta dos ataques que a verdadeira liberdade de imprensa sofreu no decorrer da história transformou-se numa arma que os grandes empresários da comunicação - com interesses particulares bem definidos - têm sabido usar para permitirem a si mesmos um poder discricionário neste país. Combater a ascensão de uma oligarquia ao ponto que ela pretende guindar a si mesma, para mim, repito que representa um dever meu de cidadão. Por isso dei ao meu blog o nome que mencionei acima, para exortar a sociedade ao exercício da cidadania, que inclui exigir isonomia de tratamento para todos os seus membros e classes.
2 comentários:
Assassino covarde!
Glória
Pimenta Neves aguardar em liberdade a condenação é um absurdo. Serve de estímulo aos que tratam as mulheres como um propriedade e ainda desmoraliza mais uma vez o Judiciário.
Um abraço
Marco Aurélio
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