
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira em Nova York que ainda não discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua permanência frente ao BC caso ele seja reeleito.
"Não há nenhum tipo de discussão, como seria impróprio a esta altura", disse Meirelles, acrescentando que o tema é "prematuro porque ainda estamos tão longe da eleição".
Meirelles foi o principal orador de uma conferência sobre a América Latina promovida pela agência de classificação de risco Fitch.
Desde a renúncia do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Meirelles é o integrante do governo Lula com mais prestígio em Wall Street.
Durante seu discurso, Meirelles disse que certamente chegará o momento em que a questão da independência formal do Banco Central será discutida no Brasil.Mas ao ser perguntado por jornalistas sobre sua expectativa quanto à aprovação da lei que garanta a autonomia jurídica do BC em relação ao Poder Executivo, Meirelles disse que "essa é uma prerrogativa do Congresso Nacional. Não cabe ao presidente do Banco Central discutir a questão."
Meirelles também se recusou a comentar sobre em que condições aceitaria continuar na presidência do BC num eventual segundo mandato de Lula. "Posso garantir que o governo está compromissado com a manutenção de uma política monetária e fiscal sólida, que já se traduz em indicadores positivos, como baixa inflação e juros numa trajetória descendente", afirmou.
Quanto à meta da inflação para 2008, Meirelles disse que o Conselho Monetário Nacional (CMN) do Banco Central deve se reunir no próximo mês de junho para defini-la. "Essa decisão tem que ser tomada no tempo adequado, mantendo-se as formalidades", disse.
O presidente do BC também voltou a reafirmar sua posição sobre o câmbio brasileiro. Indagado se o real estaria artificialmente valorizado diante do dólar, ele disse: "Uma boa posição para qualquer presidente do Banco Central é não ter opinião sobre câmbio ou sobre a taxa de juros".
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