28 abril 2011

No reencontro com metalúrgicos, Lula vê imprensa de "namorico" com Dilma

Ex-presidente promete "autocontrole" para restringir seu envolvimento política nacional. Ele quer priorizar transferência da experiência brasileira para a África

Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual

São Paulo - Na abertura do 8º Congresso da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), nesta quarta-feira (27), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o primeiro reencontro com o movimento sindical desde que deixou o cargo. Em seu discurso, ele disse que setores da imprensa estão de "namorico" com o governo da presidenta Dilma Rousseff para tentar criar divergências entre ele e sua sucessora.

Lula rebateu o que ele classificou como boatos de que ele e a presidenta Dilma Rousseff estivessem em conflito. "Um setor da imprensa está de 'namorico' com o governo Dilma para causar divergência entre eu e ela", pontuou. A seguir, repetiu o que havia declarado em entrevistas anteriroes: "Não existe divergências, porque o dia que eu e ela discordarmos, ela está certa".

Para ele, a mídia também distorce informações sobre a alta da inflação. "Estão inventando inflação. Eu ontem vi um pronunciamento da Dilma e do Guido Mantega (ministro da Fazenda), e sinto toda a firmeza. Nós não vamos permitir que a inflação volte. Nós, não só eles; como consumidores somos responsáveis para que não volte", insistiu.

Bem humorado durante os 40 minutos de discurso, Lula admitiu que ainda não "desencarnou" completamente da Presidência da República. "Ainda não 'desencarnei' (da Presidência) totalmente, como vocês podem ver. Não é uma tarefa fácil a 'desencarnação'", brincou. "Assumi compromisso com a Dilma de que é preciso manter o processo de 'desencarnação' para não comprometê-la", afirmou o ex-presidente.

Apesar disso, Lula declarou que seu gradual afastamento da presidência deveria servir de exemplo. "Queria ensinar a alguns ex-presidentes para que se mantenham como eu e deixem a Dilma exercer o mandato dela", provocou. A referência velada teve como alvo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ele foi além nas críticas à oposição e foi ovacionado por isso. "O 'nunca antes na história deste país' era para provocar a oposição, porque eu sei o tanto que já falaram de mim, com discursos cheios de preconceito. (Eu) me determinei a provar que eu seria mais competente que eles para governar o país", orgulhou-se.

O ex-presidente ressaltou ainda, em diversos momentos de seu discurso, a proximidade do governo com o movimento sindical. "Duvido que, na história da humanidade, tenha (havido) um governo que executou a democracia como o Brasil. Nunca houve tantas conferências sindicais. Em outros países, sindicalista é visto como inimigo do governo."

Ele também celebrou o que considera ser uma ação de inclusão social implantada em seus dois mandatos e mantida na gestão de Dilma. "No Palácio do Planalto, que antes só recebia príncipes e banqueiros, agora continua recebendo príncipes e banqueiros, mas também os moradores de rua e deficientes físicos. É pra mostrar que eles podem entrar em uma igreja, num metrô ou num shopping center", disse.
Conselho a sindicalistas

Dirigindo-se aos sindicalistas que participavam do evento, o ex-presidente cobrou postura firme dos representantes dos trabalhadores em negociações com empresários. "A conquista do respeito é a condição básica para ter respeito", disse. "Se você entrar numa mesa de negociação de cabeça baixa, sem se respeitar, nenhum empresário vai ter dó de vocês", recomendou.

Em relação a futuros compromissos, o ex-presidente revelou que, apesar de sentir vontade de "sair em caravana e reuniões com a CUT (Central Única dos Trabalhadores)", precisa ter autocontrole para não ter comprometimento político. "Vou me dedicar à África. A experiência brasileira pode ajudar o continente africano e este será o meu trabalho daqui pra frente", disse.

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