01 setembro 2006

A um mês das eleições, nada parece impedir a reeleição de Lula


Eduardo Davis Brasília, 31 ago (EFE)

A um mês das eleições, a própria oposição reconhece que será quase impossível derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que superou os escândalos do ano passado e concorre à reeleição.

Segundo todas as pesquisas, Lula está em posição melhor do que há quatro anos, quando, um mês antes das eleições, tinha 37% das intenções de voto.Hoje, as pesquisas mostram que o presidente conta com o apoio de cinco em cada dez eleitores, e tem uma vantagem de 25 a 30 pontos percentuais sobre seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador de São Paulo.

Em meio à morna campanha da oposição, a declaração mais desoladora foi feita por Cláudio Lembo, antigo aliado de Alckmin que assumiu o Governo do estado de São Paulo em abril, quando o ex-governador renunciou para se candidatar à Presidência.

"É muito difícil uma vitória da oposição. Somente um fenômeno muito especial pode mudar isso, pois a vantagem de Lula é muito grande, e não há um episódio realmente impactante para reduzi-la", declarou Lembo a jornalistas na semana passada.

Segundo analistas, o "fenômeno" ao qual o atual governador se refere é totalmente imprevisível, levando-se em conta que Lula superou com carisma e com o efeito de seus vastos programas sociais os sérios escândalos de corrupção que abalaram o Governo no ano passado.

A série de denúncias derrubou os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, dois de seus principais escudeiros, além de praticamente toda a cúpula do PT, que elegeu Lula em 2002.

Hoje, os companheiros políticos de Lula respondem na Justiça por supostos subornos no Congresso, fraudes fiscais e eleitorais, abuso de poder e até lavagem de dinheiro. Nada disso, no entanto, foi capaz de diminuir a popularidade do presidente.

Na opinião do sociólogo Hélio Jaguaribe, de 83 anos e um dos fundadores do PSDB, Lula "conseguiu construir um mito que resiste a tudo, e não pode ser destruído com argumentos racionais".

Jaguaribe avaliou os programas sociais do Governo, que beneficiam cerca de onze milhões de famílias, e que Alckmin afirmou que não modificará caso vença as eleições.

"Lula deu uma contribuição significativa para reduzir a massa de miséria no país. O Brasil está menos pobre do que há quatro anos", admitiu Jaguaribe. Isso proporcionou a Lula uma mudança notável em sua base eleitoral, que antigamente era formada por setores intelectuais das camadas médias da população.

O ex-sindicalista conta hoje com apoio majoritário no nordeste do país, região tradicionalmente dominada pela direita, e onde agora, segundo pesquisas, Lula tem o apoio de 70% dos eleitores.

Analistas consideram que, além dos programas sociais de seu Governo, Lula foi favorecido pela falta de carisma de Alckmin. A confiança do presidente em sua reeleição é tamanha que Lula se nega a participar de debates e quase não fez campanha nas ruas.

Alckmin, pelo contrário, se dedica a percorrer ruas de todo o país, mas costuma chamar atenção por situações inusitadas, que são alvo de brincadeiras diárias na imprensa.

Segundo o jornal "Correio Braziliense", ao pedir um café em um bar no Rio de Janeiro, Alckmin confundiu o açúcar com o sal, em meio às gargalhadas dos presentes. Depois se aproximou para saudar algumas pessoas que faziam fila em frente a um cinema, e se afastou envergonhado quando um assessor o avisou de que no local seria exibido um filme pornográfico.

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