Diário de Pernambuco - 08/06/2006
A desigualdade social no Brasil recuou nos últimos nove anos. Enquanto a renda dos mais pobres cresceu 14% em 2004, o conjunto da população teve ganho de apenas 3,5% no mesmo período. É o que mostra o estudo "Crescimento Pró-Pobre: o paradoxo brasileiro" da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado ontem no Rio de Janeiro. A virada começou em 2000, com a criação do Fundo de Combate à Pobreza para financiar os programas sociais de transferência de renda, como o Bolsa Escola, ampliado hoje para Bolsa Família. Esses programas são os vetores da diminuição da desigualdade no país pela melhoria das condições de vida da população de baixa renda.
O estudo da FGV mostra que a redução da desigualdade de renda no país vem apontando para uma trajetória descedente, iniciada na década de 90, com a edição do Plano Real. "Para a década de 90 o Plano Real foi importante porque trouxe a estabilidade econômica e o controle da inflação", diz o professor Marcelo Néri, um dos coordenadores do estudo. Ele destaca, no entanto, que na década atual, a desigualdade está em nível mais baixo devido à ampliação dos programas assistenciais, como o Bolsa Família, que destina em média R$ 50 todos os meses para as famílias com renda de até R$ 50.
Com base nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o estudo da FGV revela que nos últimos nove anos a economia brasileira ficou travada, apresentando crescimento negativo de 0,63% ao ano. Se comparada à renda dos mais pobres, a situação se inverte e aponta para o crescimento de 0,73% ao ano. No período de 2002-2005, a queda da atividade econômica foi de 1,35% - enquanto o rendimento das classes mais baixas aumentou 3,07%.
A melhoria nas condições de vida da população mais pobre não ocorreu via renda do trabalho, mas através do repasse de recursos dos programas sociais. O professor Marcelo Néri considera a diminuição da desigualdade importante. "É um dos caminhos para as famílias que ganham menos de R$ 50, porque R$ 50 a mais pode mudar a vida delas", diz.
Questionado sobre as transferências de renda através da ampliação dos benefícios da Previdência Social para os mais pobres, Néri avalia que a relação custo-benefício dessas transferências é 19,8 vezes superior para o caixa do Governo do que as bolsas. "As bolsas conseguem ter mais impacto na vida dos pobres e menos impacto nas contas públicas", defende.
O professor diz que é difícil afirmar que a redução da desigualdade através da Bolsa Família é sustentável. O estudo confirma que o Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade do mundo, mas está em declínio nos últimos anos. Néri cita estudo do Banco Mundial que mostra que o país caiu da terceira para a décima posição no ranking.
A desigualdade social no Brasil recuou nos últimos nove anos. Enquanto a renda dos mais pobres cresceu 14% em 2004, o conjunto da população teve ganho de apenas 3,5% no mesmo período. É o que mostra o estudo "Crescimento Pró-Pobre: o paradoxo brasileiro" da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado ontem no Rio de Janeiro. A virada começou em 2000, com a criação do Fundo de Combate à Pobreza para financiar os programas sociais de transferência de renda, como o Bolsa Escola, ampliado hoje para Bolsa Família. Esses programas são os vetores da diminuição da desigualdade no país pela melhoria das condições de vida da população de baixa renda.
O estudo da FGV mostra que a redução da desigualdade de renda no país vem apontando para uma trajetória descedente, iniciada na década de 90, com a edição do Plano Real. "Para a década de 90 o Plano Real foi importante porque trouxe a estabilidade econômica e o controle da inflação", diz o professor Marcelo Néri, um dos coordenadores do estudo. Ele destaca, no entanto, que na década atual, a desigualdade está em nível mais baixo devido à ampliação dos programas assistenciais, como o Bolsa Família, que destina em média R$ 50 todos os meses para as famílias com renda de até R$ 50.
Com base nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o estudo da FGV revela que nos últimos nove anos a economia brasileira ficou travada, apresentando crescimento negativo de 0,63% ao ano. Se comparada à renda dos mais pobres, a situação se inverte e aponta para o crescimento de 0,73% ao ano. No período de 2002-2005, a queda da atividade econômica foi de 1,35% - enquanto o rendimento das classes mais baixas aumentou 3,07%.
A melhoria nas condições de vida da população mais pobre não ocorreu via renda do trabalho, mas através do repasse de recursos dos programas sociais. O professor Marcelo Néri considera a diminuição da desigualdade importante. "É um dos caminhos para as famílias que ganham menos de R$ 50, porque R$ 50 a mais pode mudar a vida delas", diz.
Questionado sobre as transferências de renda através da ampliação dos benefícios da Previdência Social para os mais pobres, Néri avalia que a relação custo-benefício dessas transferências é 19,8 vezes superior para o caixa do Governo do que as bolsas. "As bolsas conseguem ter mais impacto na vida dos pobres e menos impacto nas contas públicas", defende.
O professor diz que é difícil afirmar que a redução da desigualdade através da Bolsa Família é sustentável. O estudo confirma que o Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade do mundo, mas está em declínio nos últimos anos. Néri cita estudo do Banco Mundial que mostra que o país caiu da terceira para a décima posição no ranking.
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