20 junho 2006

Produção de urânio

O Brasil deve triplicar a produção de urânio nos próximos três anos, de 400 toneladas/ano para 1,2 mil toneladas/ano, segundo previsão da INB (Indústrias Nucleares do Brasil). O aumento de oferta deixará o País em situação confortável para abastecer o mercado interno e ainda exportar o excedente, estimado em 400 t.

"Não é impossível que o Brasil exporte urânio a partir de 2009", prevê Luiz Filipe da Silva, diretor da INB. No entanto, para que o urânio alcance o mercado externo será preciso uma mudança na legislação brasileira, que hoje proíbe a exportação do produto, além da autorização da Agência Internacional de Energia Atômica.

"O setor nuclear está mobilizado para encontrar mecanismos que permitam exportar a produção excedente", ressalta o diretor, que cita os países asiáticos, como China, como possíveis compradores do minério. Segundo Silva, a INB estuda exportar urânio enriquecido, de maior valor agregado. "Não nos interessa vender o produto na forma natural", afirma.

A previsão de aumento da produção leva em conta o início de exploração da mina Santa Quitéria, no Ceará - previsto para ocorrer nos próximos meses -, que sozinha terá capacidade para produzir 800 t/ano de urânio. Hoje, apenas a mina de Caetité, na Bahia, está em atividade, com uma produção de 400 t/ano. A demanda está concentrada nas duas usinas nucleares existentes no País - as Angras 1 e 2. Com a inauguração da nova mina, o Brasil também poderá abastecer a usina de Angra 3, caso a expectativa de retomar esse projeto se concretize. O maiores produtores de urânio no mundo são Canadá, com 12 mil toneladas/ano, Austrália (6 mil toneladas/ano) e Cazaquistão, com 4 mil toneladas/ano.

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