"Pelo bem do México, os pobres primeiro." Esse é o principal lema da campanha do esquerdista Andrés Manuel López Obrador, popularmente conhecido pelas iniciais, AMLO. Em tempos de participação política minguada e de comícios que dependem de cantores populares para atrair as massas, AMLO surpreende. Sua campanha rodou o México em caravana, onde juntou multidões em todos os cantos do país.
Ele promete obras, de novos hospitais a estradas, de programas assistenciais a mais empregos. "O México é um país rico, mas com um povo pobre", discursou. O país tem a terceira pior distribuição de renda da América Latina, depois de Brasil e Chile.
Com voz suave e retórica inflamada, AMLO é o grande herói dos miseráveis mexicanos. De 2000 a 2005, administrou a Cidade do México. Lá fez sua fama. Criou pensões e programas assistenciais para 400 mil pessoas com mais de 70 anos sem recursos. Distribuiu remédios gratuitos para 750 mil famílias pobres. Mães solteiras e deficientes físicos também receberam programas de distribuição de renda.
Demonstrou ainda flexibilidade ideológica ao encampar um projeto do homem mais rico do país (e terceira maior fortuna do planeta), Carlos Slim, de revitalizar o Centro Histórico. Faturou com a melhoria na antes decadente área e se aproximou do magnata. Apesar de criticar as promessas populistas de López Obrador, o empresário falou que não há razão para "temor" caso o ex-prefeito vença.
Sua popularidade no cargo superava 70%. Por outro lado, torrou dinheiro em grandes obras viárias, como o "segundo andar" do Periférico, o maior viaduto elevado da capital, a versão local do Minhocão. Uma obra de discutível impacto na melhoria do trânsito da cidade -- por favorecer o uso do carro em detrimento do transporte público -- e muito criticada por ambientalistas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário