"Em sua fase incial, após chegar a São Paulo, em 1894, o futebol foi extremamente elitista e racista", conta Mauricio Murad, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e pesquisador do Núcleo de Sociologia do Futebol.
Segundo ele, "uma característica deste período foi justamente o uso de sobrenomes duplos pelos jogadores, que identificavam não somente riqueza, mas tradição.
A mudança se deu primeiro, como consequência de um processo de mudanças históricas. Segundo, para facilitar a participação dos jogadores pobres e sem escolaridade que chegavam aos clubes". Para Murad, "o uso só do prenome ou do apelido era um elemento facilitador para aqueles atletas analfabetos ou semi-alfabetizados".
Fato é que o volume de "inhos" na seleção brasileira provoca até hoje, fora do país, um estranhamento constante. Especialmente para um alemão, é inconcebível a idéia de que personalidades públicas sejam tratadas simplesmente por seus prenomes ou apelidos.
A admiração do estrangeiro geralmente aumenta ainda mais quando se explica que no Brasil a avalanche de apelidos vai além do mundo do esporte e chega até às esferas da política, por exemplo, como no caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O sociólogo Murad lembra, neste contexto, que o uso de apelidos ou prenomes ocorre mais nas camadas socialmente inferiorizadas da sociedade brasileira, "onde a invisibilidade social é significativa".
Há ainda teorias segundo as quais a omissão do sobrenome vem de muito antes na história do país, tendo sido um costume introduzido pelos chamados "cristãos-novos" – judeus e mouros, que haviam sido obrigados a se converter ao cristianismo na Europa. Como os sobrenomes, neste caso, poderiam "denunciar" a origem dos imigrantes, eles preferiam se apresentar usando apenas os prenomes, para evitar discriminações.
por Soraia Vilela
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