
Os personagens envolvidos na lista de Furnas mostra um esquema de caixa 2 operado durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no ano de 2002. O documento de cinco páginas tem data de 30 novembro de 2002. O esquema teria movimento cerca de R$ 40 milhões em campanhas eleitorais de quase 160 candidatos.

Dimas Toledo(foto) foi diretor de engenharia de Furnas Centrais Elétricas entre os anos de 1995 até 2005, quando surgiu a denúncia de irregularidades envolvendo a estatal. Ele é um dos principais nomes desse fato, já que é dele a assinatura que consta no final na lista de Furnas aprovando as doações. Apesar disso, o ex-diretor nega a autenticidade da assinatura e diz que o documento é uma montagem, mesmo depois de a Polícia Federal ter comprovado a autenticidade do documento.Os antecedentes de Dimas Toledo, mostra que a eleição a deputado estadual em 2002 do filho, Dimas Toledo Júnior, foi uma das mais caras de Minas Gerais e os principais doadores foram funcionários e fornecedores de Furnas.
Ele nega ainda que passou para o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) os R$ 75 mil que Jefferson garante ter recebido. Depois das denúncias, Dimas foi exonerado pelo presidente Lula em setembro do ano passado.
Depois da PF ter declarado a lista como autêntica, o advogado de Dimas divulgou nota reafirmando que o documento não é verdadeiro e que a assinatura não é do seu cliente. "Embora eu ainda não tenha tido tempo de fazer um exame mais detalhado do novo documento ou submetê-lo à perícia pelos mesmos técnicos indicados pela defesa para exame do documento anterior, tudo leva que o documento tem a reprodução da assinatura de Dimas Toledo", diz a nota.
Nilton Monteiro foi quem entregou os originais para a Polícia Federal, ele chegou a negar durante certo tempo ter os originais, depois disse que só os apresentariam em um momento propício. Segundo Monteiro, o que o levou a mostrar os originais somente agora, foi a mobilização dos deputados mineiros citados na lista em processá- lo por calúnia.Segundo Monteiro, Toledo teria montado esta lista com a intenção de chantagear os envolvidos porque o ex-diretor temia perder o seu cargo dentro da estatal.
Ele diz que recebeu as cópias das mãos de Dimas, no início de 2005. O documento seria usado para chantagear o governador Aécio Neves, para que este garantisse o posto de Dimas em Furnas, segundo Nilton Monteiro para a Carta Capital.
Luís Fernando Carceroni, professor municipal efetivo, da Prefeitura de Belo Horizonte, foi apontado no relatório da CPMI dos Correios como cúmplice de Nilton Monteiro na divulgação da lista pela Internet. Os dois receberam as seguintes acusação da Comissão: calúnia, crime punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa; falsidade de selo ou sinal público, pela falsificação do logotipo da empresa Furnas, punido com reclusão, dois a seis anos, e multa; falsidade ideológica, pela falsidade do conteúdo da malsinada lista; punido com reclusão, um a cinco anos, e multa, por se tratar de documento de caráter público.
Carceroni, através de e-mail para a Minas De Fato, diz que a Comissão não se baseou na cópia autenticada de posse da Polícia Federal e lembra que não teve a oportunidade de se defender. "Tudo indica ter sido usada uma cópia impressa das versões eletrônicas que circulam na Internet. Entretanto, o relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio, sem conhecer a origem dos documentos periciados, acreditou de imediato nestas perícias encomendadas por Dimas Toledo e afirmou de modo categórico", afirma.
O ex-deputado do PTB, Roberto Jefferson foi o único que reconheceu ter recebido os R$ 75 mil que se referem a ele na lista. Já os tucanos Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, que também aparecem como beneficiários do esquema de corrupção, negam desde o início da divulgação das informações que receberam qualquer quantia para suas campanhas de forma ilegal que tenha envolvido dinheiro vindo do caixa 2 da Furnas Centrais Elétricas.
Nilton Monteiro revelou que a campanha do, hoje senador, Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas de 1998 operou um caixa 2 estimado em R$ 90 milhões. Além de ter sido o elo das operações com o publicitário, Marcos Valério.
Amanhã, você acompanha quais são os onze deputados estaduais mineiros do PSDB, PFL, PPS, PP, PDT, PSC e PMDB, que aparecem na lista considerada autêntica pela Polícia Federal e o que cada um deles tem a dizer sobre o seu envolvimento nas denúncias de caixa 2 na estatal.Foto: O ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo em depoimento no dia 16 de fevereiro de 2006. (Agência Brasil)
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