21 junho 2006

Brasil tem espaço para cortar juros até 2007


O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, disse nesta terça-feira em Nova York que apesar da volatilidade apresentada pelos mercados globais, “o Brasil tem espaço para cortar sua taxa de juros este ano e no ano que vem".

”Kawall foi o principal orador de um evento promocional da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para investidores de Wall Street. Hoje, a taxa Selic do Banco Central (BC) está na casa dos 15,25% ao ano. Kawall acrescentou que em função da turbulência das últimas semanas, “a expectativa do mercado para a taxa de juros ao final de 2006, que era de 14% há um mês, agora é de 14,5%.”

Meta da inflação

Para Kawall, a contínua queda da inflação permitirá ao BC continuar a redução dos juros.

O diretor de política monetária do BC, Rodrigo Azevedo, disse que “as expectativas de inflação estão bem ancoradas, mas vamos esperar até a semana que vem,”. Azevedo acrescentou que “o Brasil se encontra hoje numa posição confortável em relação à política monetária.” “À medida em que no Brasil temos o regime de câmbio flutuante, nós não temos que automaticamente importar a política monetária do resto do mundo,” disse.

Ele se referia aos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa, que têm promovido um gradual aperto monetário, elevando suas taxas de juros.

Dívida pública

Tanto Kawall quanto Azevedo enfatizaram a austeridade da política macro-econômica do governo Lula na redução da dívida pública para a platéia de investidores. “Durante dez anos a dívida cresceu, mas com políticas consistentes dos últimos anos, continuamos a ver a queda da trajetória da razão entre a dívida e o PIB (Produto Interno Bruto),” disse Kawall. Hoje a relação dívida/PIB brasileira está na casa dos 50%.“Estamos comprometidos em manter o superávit primário em 4,25% em 2006 e 2007,” acrescentou. “Se o superávit for mantido nos próximos quatro ou cinco anos, esse patamar(da dívida pública) pode ser reduzido para os 40%”.Quanto menor a relação entre a dívida e o PIB, maior a chance de um país obter uma elevação em sua nota de risco soberano.

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