05 maio 2006

Entrevista com Marilena Chauí

Filósofa-estrela da cultura nacional, Marilena Chauí sempre emprestou seu brilho à estrela do Partido dos Trabalhadores, legenda da qual é fundadora e ardorosa defensora. Os escândalos que tomaram de assalto o PT no governo Lula, porém, lançaram uma sombra sobre os que sempre orbitaram ao redor do partido - e Marilena não escapou. Acusada de optar pelo silêncio em vez de rebater as críticas ao governo, a professora da USP teve os holofotes focados em sua imagem ao participar do seminário "O Silêncio dos Intelectuais", em agosto. Após meses sem se manifestar publicamente, ela disse haver "momentos em que o silêncio é o dever de um intelectual". A frase serviu para cristalizar uma suposta postura de omissão. No entanto, não é uma verdade absoluta.

Em 2004, depois do escândalo envolvendo Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto que apareceu em vídeo negociando propina e arrecadação de dinheiro para campanhas eleitorais, Marilena escreveu contundente artigo na "Folha de S.Paulo" em defesa do PT. Afirmava que a mídia, em vez de discutir a necessidade de reforma política para evitar episódios como o do caso Waldomiro, tinha como motivação a disputa simbólica para destituir o PT do lugar que ocupava. Colegas de universidade, intelectuais e articulistas reagiram, e muitos protestaram contra seus argumentos.

Na entrevista a seguir, Marilena retoma o assunto sem meios-termos. Fala da polêmica em torno do silêncio, da importância da reforma política para que os partidos não sucumbam a improbidades administrativas e diz que o governo deveria ter proposto uma reforma quando ainda dispunha de poder e prestígio para dirigi-la. Também analisa a situação política do partido e o contexto de seus muitos escândalos. Em defesa do PT, alega que sua fragilidade se agravou quando o governo perdeu a presidência da Câmara e se intensificou ainda mais pelo fato de adversários políticos promoverem "um golpe branco ou o impeachment do presidente da República".

Sua carreira começou cedo. Aos 26 anos, defendeu seu mestrado sobre Maurice Merleau-Ponty. Aos 30, doutorou-se com uma tese sobre o filósofo holandês Baruch Espinosa. Sua livre-docência, também sobre Espinosa, foi defendida aos 36. Tornou-se professora-titular da USP em 1986.

Confira a íntegra da entrevista (clic aqui)

Um comentário:

Anônimo disse...

Esta senhora, pela fidelidade aos seus ideais e principios, é um exemplo para todas as mulheres do mundo.