05 maio 2006

Brasil avança no enriquecimento de urânio


Artigo originalmente publicado em O Globo

Estendeu-se por 53 anos o esforço da Petrobras para assegurar, ao Brasil, a auto-suficiência na produção de petróleo. Nessa trajetória, a maior empresa nacional enfrentou campanhas difamatórias, crises econômicas e obstáculos tecnológicos. Venceu todos eles, até alçar o país ao reduzido grupo dos 12 maiores produtores de petróleo do mundo. Hoje o Brasil detém a mais avançada tecnologia para prospecção de hidrocarbonetos em águas profundas, o que só foi possível com o trabalho de gerações de cientistas, pesquisadores e técnicos comprometidos com o desenvolvimento de um setor absolutamente estratégico. A luta de mais de meio século orgulha todos os que, por algum gesto, somaram em favor de seu êxito.

Hoje, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura as duas primeiras unidades de enriquecimento de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil, empresa estatal instalada em Resende (RJ), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Trata-se de marco histórico no Programa Nacional de Atividades Nucleares.

Para o Brasil, a auto-suficiência na produção de urânio enriquecido é tão estratégica quanto a auto-suficiência na produção de petróleo. A energia nuclear terá um importante papel no século 21, em decorrência de dois grandes fatores. O primeiro deles é a crise mundial na produção de petróleo que, segundo os especialistas, irá se instalar nos próximos 20 ou 30 anos. O segundo é o desafio do aquecimento global.

Não faltam, portanto, desafios — como não faltaram aos que venceram a luta pela auto-suficiência na produção de petróleo. Vamos superá-los. O Brasil é um país privilegiado por dispor, dentro de suas fronteiras, de variadas fontes de energia, sobre as quais detêm domínio tecnológico. São poucos os países com iguais recursos estratégicos. Abrir mão de algum deles, quando se avolumam as dúvidas mundiais sobre os próximos cenários energéticos, poderá comprometer nosso futuro.

SERGIO MACHADO REZENDE é ministro da Ciência e Tecnologia.

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