04 maio 2006

Alento


Ver corruptos juízes e políticos graduados sendo condenados no Brasil dá um certo alento à alma e cria esperanças de um mundo melhor.

Quando no Brasil vimos tantos juízes investigados e condenados? Quando lemos sobre desbaratamento de verdadeiras máfias de políticos corruptos e asquerosos?

O ideal seria acreditar que os defensores e criadores das leis temessem-nas. Mas não é o que vemos. Os políticos aprovam somente os projetos de leis que lhes favorecem, e os juízes defendem os que lhes enchem os bolsos e contas no exterior.

Felizmente para nós e para azar desses dois representantes da sociedade, vemos a justiça atuar. Ontem (03.05) o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto foi condenado a 26 anos e seis meses de cadeia por desviar US$ 100 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. E o ex-senador Luiz Estevão, acusado do mesmo crime, teve uma pena maior: 31 anos e 4 meses de prisão. A sentença foi decretada após 11 horas de julgamento no Tribunal Regional Federal (TRF). A Nicolau também foi aplicada multa de R$ 1,2 milhão. A Estevão, multa de R$ 3, 15 milhão.

O juiz-ladrão, que presidiu o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e coordenou as obras superfaturadas, foi condenado, por unanimidade, pelos crimes de peculato-desvio, estelionato qualificado e corrupção passiva. Estevão, que era sócio oculto da empreiteira contratada, a Ikal, e enviou US$ 1 milhão para uma conta de Nicolau na Suíça, foi condenado pelos mesmos crimes atribuídos ao juiz e ainda por formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Mas para não nos iludirmos e passarmos a acreditar demais no sistema, aqui vai uma ducha de água fria: apesar de penas tão severas, o TRF, corporativista, não expediu mandado de prisão contra Nicolau e Estevão, frustrando expectativa e pedido da Procuradoria da República. Nicolau está em prisão domiciliar, por condenação em outro processo.

Dos cem milhões que o juiz-ladrão e o ex-senador-mafioso surrupiaram do povo, ninguém tem notícia. Se fizessem como o Estado alemão, que vai até o fim do mundo atrás do dinheiro, a PF certamente encontraria a grana escondida na conta de algum graúdo no exterior.

Glória

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