23 julho 2008

Lula hoje sobre Doha


“Eu acho que tanto os americanos quanto os europeus estão habituados há um tempo em que não havia negociação. Eles impunham o que eles queriam e os outros eram obrigados a aceitar. Hoje é preciso levar em conta a existência dos países emergentes, é preciso levar em conta a existência de uma maior consciência sobre a soberania alimentar do mundo inteiro e, portanto, eu continuo na expectativa de que o Brasil vai fazer acordo com os [demais] países.”

“Eu tenho dito que sou o mais otimista dos dirigentes mundiais na possibilidade de fazer um acordo na rodada de Doha, até porque eu estou convencido de que se nós quisermos ter paz no mundo, se nós quisermos combater o terrorismo, se nós quisermos evitar essa perseguição que tem aos imigrantes no mundo inteiro, temos que ajudar a desenvolver os países mais pobres e isso necessariamente passa por um bom acordo na rodada de Doha, em que os europeus flexibilizem o mercado de agricultura para que os países pobres possam vender seus produtos e os Estados Unidos reduzam seus subsídios e que nós façamos uma flexibilização na questão de produtos industriais.”

“Nós já demos demonstrações a eles que estamos dispostos a fazer isso [reduzir as restrições à importação de produtos industriais], mas eu acho que eles sempre acham que os países emergentes têm que se subordinar à lógica deles e à teoria deles. Se não houver uma efetiva redução dos subsídios dos Estados Unidos, se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola dos europeus, não tem acordo. E cada um arca com a sua responsabilidade.”

“O Celso Amorim é um extraordinário negociador e, portanto, penso que nós estamos em boas mãos.”

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