02 julho 2007

Zeagá é modelo infame do jornalismo golpista



A matéria publicada ontem (fac-símile acima) no jornal do grupo RBS, Zero Hora, chega a ser hilária, como foi sacado pelo inteligente Marcelo Duarte. Denuncia uma maracutaia eleitoral de um governador tucano do Nordeste, mas a foto - em primeiríssimo plano - estampa o presidente Lula.

O governador acusado está subsumido na fotografia. Pela imagem, é um personagem lateral, de quinto ou sexto plano.

O que significa subsumir? Subsumir para Kant, significa que o sujeito (no caso, o governador) está subordinado à idéia geral, ao etos sem nenhum caráter do presidente Lula. Vejam que o governador Cássio Lima (ao fundo, à direita) está comprimido entre tantos outros indivíduos, mas Lula os capitaneia, Lula é o estandarte, Lula é o vanguardeiro da imoralidade pública, Lula é a pétala superior do opróbrio público, Lula é o mestre entre peripatéticos alunos. Lula sorri, e os conforta. Por isso se justifica, para os editores de Zeagá, o seu frontal protagonismo na imagem escolhida para ilustrar a matéria. É a prática mais viva e abjeta do velho e conhecido jornalismo marrom exercitada pela RBS, através de Zeagá.

Trata-se de um material objetivamente, subjetivamente, liminarmente, subliminarmente canalha. Nem toda a ficção realista de Dias Gomes é suficiente para afastá-la como um momento (já) clássico da imprensa marronzista mais desqualificada e infame.

A matéria deve ser exibida em sala de aula como modelo do jornalismo golpista praticado no Brasil no final do século 20 e início do século 21.

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